Cala-te boca! kupuwa talalaa


Domingo, Julho 31, 2005


Outro dia, fiz meu mapa astral na internet. Se eu nao achasse que ele é sincero demais, até publicaria aqui.
Portanto, so vou comentar sobre uma sugestao muito interessante que ele me deu.
La dizia assim: "Canto e música também são terapias muito adequadas para o seu tipo, oriente-se nesta direção e você perceberá como você se tornará uma pessoa mais relaxada".
Engraçado. Duas semanas antes eu havia pedido mais informaçoes a uma amiga sobre suas aulas de canto. Pra ser sincera, nunca cantei, nem no chuveiro. Eu sempre morri de vergonha. Mas depois da dica do mapa, comecei a tentar em casa, quando estou sozinha, e no carro.
Eu devo desafinar muito, acho. Mas a minha voz é até bonitinha.
E o melhor de tudo: ja expulsei varios monstros de dentro de moi.
E ja dei muita risada de mim mesma quando flagrei os outros me flagrando no transito.

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Minha mae vem me visitar em agosto.
Na versao dela, ela vem apenas pra me buscar.

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O Alberto fez mençao de me deixar na mao as 2h da madruga no meio de lugar nenhum. Sorte que sou uma mulher prevenida e ando com três garrafas de agua pra matar a nossa sede.
Esguichos amarelos saindo do motor.
Sim, essa é a semana do amarelo.

"no jardim, eu sento la
pois minha casa esta pegando fogo
e eu tenho a maior dificuldade em dizer esse tipo de coisa
a sala inteira olha pra mim
e eu, eu penso no cheque
e é arriscado dizer isso"

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*Flip Kowlier (in de fik)
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Sábado, Julho 30, 2005


Caminhando na madrugada de Bruges, tirei fotos com a Vania.
E cantarolei uma musiquinha belga que diz mais ou menos assim.

"Ha um animalzinho na minha cabeça
Mas nao ha ninguem que acredite nisso
Se eu olhar meio vesgo, posso ve-lo
Pode ser que ele me anestesie,
Na minha cabeça"

Que singelo.

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Sexta-feira, Julho 29, 2005


Na cozinha

Hoje vai rolar clube da Luluzinha e eu fiquei responsavel pela sobremesa. Como eu ainda tinha um restinho de coco, optei por fazer minha especialidade: quindim!
O resultado vocês podem conferir ai abaixo.

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A textura ficou na medida certa, mas acho que faltou um pouco mais de coco e eu exagerei um tiquinho no suco de limao.
Vamos ver se as minhas suspeitas se confirmam mais tarde.

ps: Samanta anda muito caseira e cozinheira. Isso nao é nadinha normal.
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UPDATE: Comentei que as pessoas deveriam me proibir de escrever depois da segunda cerveja. No fundo, acho que as pessoas deveriam me proibir de escrever.
Por isso, acrescento duas informaçoes super relevantes nesse post.
Ouço de forma sistematica sempre a mesma meia duzia de CDs.
Minhas musicas favoritas sao invariavelmente a 3, 8 e 9 em todos os meus CDs.
Cabalistico, isso.

Ja falei pra vocês da minha relaçao com a musica?

Ela acontece como uma paixao. Nao tem uma causa aparente e o objeto de desejo nao tem caracteristicas esteticas especificas, por vezes nem é passivel de classificaçao. Pode ser que somente a casquinha me atraia ou so o conteudo, nao é nada fixo. Mas elas acontecem invariavelmente a primeira ouvida. Entao, o que se sucede é aquela famosa boca seca, taquicardia, maos suadas, euforia, muito barulho, olhos brilhando e uma vontade louca de nao largar mais. Quando me apaixono por uma musica, ouço, ouço, ouço ate enjoar. E quando isso acontece, deixo a musiquinha no seu cantinho e esqueço, de proposito e bem malvada.

Mas confesso que as vezes tambem mantenho relaçoes poligamicas. Vocês sabem, uma coisa chama a outra e os acompanhados sempre sao os mais cobiçados. Entao você acaba de conhecer aquela musiquinha interessante que te apresenta pra uma cançaozinha mais linda ainda. Elas chegam, conquistam o seu coraçao e você fica naquela duvida mortal. Ouve uma no carro, outra usa pro jantar, a terceira pra postar no blog, uma quarta pra levar pra cama e assim vai. Enfim, nao é facil conciliar todas essas paixoes. Fica sempre aquela duvida, um troca-troca de caixinhas, pula, volta, passa adiante. uh. Rola até ciume.

Porem quando a paixao acaba e eu nao encontro uma substituta, bate aquele vazio intenso, uma falta de sentido em tudo que faço, penso, desejo. E o tedio, aquele crapula, toma conta.
Fico no meu cantinho solitaria. Nessas horas nem é muito bom partir numa busca insana. Elas costumam gerar grandes decepçoes. E se um dia, por acidente, esbarro com uma paixao esquecida no fundo de uma gaveta velha, a emoçao é a mesma do primeiro encontro. Por vezes, até melhor. Ouço, ouço, ouço e descubro coisas que antes nem tinha me dado conta. Entao as chances de virar um grande amor sao grandes.
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Quinta-feira, Julho 28, 2005


Ja comentei com vocês sobre a loucura do belgas em relaçao ao sol, ne?! Pois entao, coisa de duas ou três semanas atras, fui trabalhar e a temperatura estava em torno de 30C. Na hora do "recreio", todos os belgas sem exceçao foram lanchar na rua, sentados na calçada mesmo. No refeitorio, so sobraram duas pessoas, eu e um nigeriano. Olhamos um pro outro e demos risada. E a partir desse dia, fiquei amiga do Lino, esse cara em torno dos trinta, baixinho e sem papas na lingua.
Dias depois, eu estava no refeitorio com o Lino quando chegou esse belga que trabalha com ele. Conversa vai e vem, e ele fala assim.
- Minha namorada me deixou e vai casar semana que vem com um cara do Kosovo. To mal.
- Do Kosovo, cara?! Ela é de la tambem?
- Nao, ela é belga.
- Mas por que ela te deixou entao?
- Eu nao sei.
- Escuta, mulher quando deixa homem assim é porque o sexo estava ruim. Tu deu um bom sexo pra ela? Eu acho que nao. Se tivesse dado, isso nao teria acontecido. Mulher você tem que pegar de jeito, cara.... (ai segue praticamente uma aula de boas pegadas).
O garoto belga queria cavar um buraco. Olhava com aquela cara de "nunca mais eu faço um comentario intimo quando ha estranhos na mesa". Eu nao sabia se criticava o machismo do Lino, se ficava sem graça pelo belga, se corria pro banheiro pra rir da situaçao ou se ficava ali mesmo tentando entender a pegada africana.
Fiz um pouco de cada.
Ganhei pouco, mas me diverti.
Talvez eu até sinta falta do ambiente dos kiwis.

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Amanha as 16h recebo a minha carta de alforria.
Esses ultimos momentos antes da libertaçao costumam durar uma eternidade.

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Quarta-feira, Julho 27, 2005


Eu sempre digo que nao, mas adoro dar nomes.
Minha magrela se chama Matilde.
A lata velha se chama Alberto.
O gringo se chama Comparsa.
E o meu novo gato se chama Lumumba.

Mas tem tambem a Doris, o Nelson, o Memling, a Helga e por ai vai.

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Terça-feira, Julho 26, 2005


Post de aniversario com updates!

O tempo esta feio e eu e Matilde decidimos descansar. Vou ate dar uma soneca no sofa aproveitando esse dia de folga longe dos kiwis. Amanha, o tédio me espera.
Fiz o bolo, o meu primeiro aos 27 anos. Ficou quase bom! So nao ficou melhor porque Samanta, muito esperta, trocou as bolas e usou a farinha de trigo ja acrescida de fermento. A receita do mané, ou melhor, da mané nao deveria ter fermento.
Fotos da experiencia aqui.
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Update 4:
Minha amiga veio. Comeu meu bolo, adorou e levou pra casa. Fiquei feliz!
E so pra esclarecer, esse nao foi o primeiro bolo que fiz na minha vida. Foi apenas o primeiro na minha idade nova, 27 anos.
Estou feliz, foi um bom aniversario, apesar de todas as saudades. Vou la agora deixar o Comparsa fazer mais cafuné.
;)

Update 3:
Mamae ja ligou.
Tambem falei com papai.
Amigos ligaram.
Minha amiga nao chegou ainda.
Eu ja parei o filme trocentas vezes.
Fiz café! Gostoso... Alias, eu amo café. Mas café ao acordar tem gosto diferente do café feito a tarde. Voces nao acham? Cheira diferente tambem.
O café da tarde é mais verdadeiro!

Update 2: Estou vendo Barry Lyndon enquanto espero uma amiga chegar.
Update 1: Pecus pediu, entao la vai a receita.

Mané da Bahia (como Manoel da Bahia, eu achei na internet. Obrigada, Cintia...heheheh. E a culpa é da minha mae!)

Bater no liquidificador:
- 750 ml de leite
- 3 ovos
- 2 colheres de sopa de margarina.
- 1 xicara de açucar.

Depois de bater, colocar numa vasilha e acrescentar:
- 100 gr de coco ralado.
- 1 colher de sopa bem cheia de parmesao.
- 2 xicaras de fuba (ou uma de fuba e outra de trigo. Se voce nao tiver fuba em casa como eu, coloque duas de trigo).

Misture bem, bem, bem.
Unte uma forma com margarina e açucar e despeje a mistura (fica meio liquida mesmo). Deixe descansar por 10 minutos e depois coloque no forno em temperatura baixa. Quando dourar, esta pronto.

ps: O bolo fica com duas camadas bem nitidas. O meu nao ficou assim porque sou tonta!



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Segunda-feira, Julho 25, 2005


Se estivesse vivo, Stanley Kubrick completaria amanha 77 anos. Eu faço 27. Mas por que eu to falando dele? Provavelmente pra realçar esses 50 anos de pura diferença que nos separam, claro. E pra dizer que se amanha fizer sol, eu saio com a Matilde. Se chover, fico em casa revendo a coleçao do Kubrick. Um aniversario com grandes expectativas, com certeza.

Agora vou la fazer um bolo chamado Mané da Bahia. Alguem ja ouvir falar? Eu nao achei na internet. Provavelmente so minha mae chama esse bolo assim. Sera que eu coloco a receita aqui? Primeiro vou testar pra ver se da certo. Alias, eu comprei um coco e fui "descascar". Nunca vi disso, mas o bicho saiu inteirinho. Clique na foto abaixo!
P1010003.JPG
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Uma amiga holandesa do meu curso vai sair de férias amanha. Vai pra Africa. Pagou 700 euros num pacote de sete dias com tudo incluido. Fiquei com vontade de ir junto, mas tambem nao tenho essa grana toda. Sem falar que ela vai pro Egito, exatamente em Sharm el Sheik. E como os raios ultimamente insistem em cair no mesmo lugar, fiquei preocupada.
Que coisa!


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Domingo, Julho 24, 2005


Ontem dei um passeio de 20km com a Matilde, o mais longo até o momento. A bicha se comportou muito bem, firme nas curvas e macia nas retas. Demos algumas voltas em torno de Bruges, quase atropelamos um turista japonês e depois nos deitamos na grama de um parque para observar a fauna. Uma beleza!
Eu e Matilde temos até planos para proxima terça-feira.

Matilde nas retas.jpg
Matilde no parque.jpg

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Sábado, Julho 23, 2005


Dos 15 aos 17 anos, eu participei de um grupo de dança chamado Alma Negra. Desse periodo, guardo lembranças boas e outras nem tanto. Ninguem nunca me avisou, mas so a alma negra nao bastava. E até tentei explicar que eu tinha sido vitima de uma combinaçao genetica mal sucedida, mas ninguem me ouviu.
Lembrei disso porque muitas vezes me sinto um peixe fora d'agua.
Mas isso é assunto pra um post longo. Um dia, explico direito pra vocês.

****

Eu, (amigo da Fawzixa), Melissa, Fawzixa, (outro amigo).

Foto tirada na ultima quarta-feira. Essa mocinha da direita foi a minha primeira amiga na Bélgica. Reencontrei Fawzixa por acaso na festa da cidade de Gante depois de quase dois anos sem contato ja que ela havia se mudado pra Bruxelas e trocado o numero do telefone. Fiquei muito feliz (isso nem precisava dizer).
Ah sim, essa é a minha praia.

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Sexta-feira, Julho 22, 2005


Quem diria...

Aos 6 anos, pedi um lego de presente de aniversario.
Aos 12, um BZ.
Aos 18, ganhei uma pentax k-1000.
E aos 27 (em breve), eu so quero que alguem me pague uma faxineira pra dar um jeito nessa casa.
:(
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Quinta-feira, Julho 21, 2005


No mundinho da Samanta, as palavras têm formas. Mas nao a forma convencionada da combinaçao das letras, mas uma imagem formada pelo som e sensaçoes que elas produzem.
Por isso as vezes, antes de dormir, me dou ao luxo de contar varios senhores "Barulho" pulando a cerquinha em vez de ovelhinhas.
Essa imagem nao esta presente no mundo dos humanos, muito menos no das idéias de Platao.
E é provavelmente mais uma viagem da minha cabeça.

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Quarta-feira, Julho 20, 2005


A arte de dar um presente

Sempre achei que a graça de um presente não estava no objeto em si. No ato da entrega, talvez? Tambem não. Claro que é sempre muito bom e prazeroso observar o rosto de contentamento da pessoa. Ou não, porque as vezes o tiro também sai pela culatra.

Mas pra mim, tudo isso é muito irrelevante. A graça de dar um presente antecede o momento da compra. É aquele hora que você para, larga tudo que esta fazendo e dedica segundos, minutos ou horas do seu tempo pensando única e exclusivamente naquela pessoa. Do que ela gosta? O que ela faz? O que ela gostaria de fazer? Quais são seus sonhos? Interesses? Prazeres? Rotina? O que ela gostaria de mudar?

Ou seja, é um momento de entrega onde você busca não somente conhecer o outro, mas tambem a si mesmo. Quem nunca se deparou com um presente e o comprou porque justamente gostaria de te-lo pra si? É tambem é um momento de pura conexão. Você junta as pecinhas do quebra-cabeças do amigo e tenta coloca-las no seu. Você busca coisas em comum entre vocês e estabelece mais uma ligação através desse presente.

Por isso, na minha opinião, dar um presente é uma arte. A arte de deixar coisas "mais importantes" de lado e dedicar o seu tempo a alguém. Seja perambulando entre lojas na procura desesperada por um presente legal ou deitada na sua cama antes de dormir com o pensamento sintonizado naquela pessoa na tentativa incansável de procurar compreender o outro, repassar mentalmente aquele filminho dos seus momentos juntos e por ai vai.

Por isso não acredito em presentes bons e nem ruins. Acredito em presentes surpreendentes. Afinal, a arte de dar o presente tambem não acaba na entrega. Depois da festa, talvez o seu amigo sente no sofá da sala, olhe para cada um dos presentes e fique ali se questionando sobre os motivos de cada amigo. É um jogo que pode durar dias ou mesmo não acabar nunca.

E é por isso que hoje, aniversario do meu pai, o meu presente não será uma carteira nova, uma gravata, um cd ou um livro. O meu presente vai ser uma nova forma de encarar esse homem, longe da figura do chefe de família. Hoje vou me dedicar a entender o Miguel, essa pessoa cheio de sonhos, silêncios, planos, amarguras, motivos e prazeres. Vou tentar entende-lo como nunca o fiz antes. O compromisso do meu dia é juntar as pecinhas desse homem tão complexo e para mim ainda tão desconhecido.

Digamos que este seja um compromisso de uma vida inteira.

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Terça-feira, Julho 19, 2005


Cheiro...

... de laranja recém arrancada do pé.
... de brisa praiana num sabado de outono.
... de sabonete de lirio.
... lençois limpos em noite de inverno.
... bolo de milho no forno.
... de beijinhos no pescoço.
... pao de queijo assando.
... de café na tarde de domingo.
... de abraço apertado.


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Historias da infância

Ontem fiquei lembrando de coisas distantes, pessoas, lugares, cheiros, cores, olhares, palavras. Acho que estou novamente naquela fase de ser cortada por imagens do passado que surgem na mente num momento sem qualquer conexão ou propósito. Lembro que já li sobre isso em algum lugar, mas não lembro onde.

De qualquer forma, parece que esse fenômeno é ate bem comum entre pessoas que se mudam para um pais e la permanecem por um período mínimo de tempo. É bastante curioso. Ontem, por exemplo, estava super concentrada na gramática quando me veio a cabeça a imagem da Isabela. Ha anos não ouço falar dessa moça.
Conheci a Isabela na sexta série do primeiro grau. Eu estudava na turma 612 e ela, duas sala depois de mim ou 80 outros estudantes entre a gente. No final daquele ano escolar, a professora de ciências programou um viagem pra Gramado, Rio Grande do Sul. Era um pacote super barato, o ônibus era de graça e minha mãe me liberou pra viajar sozinha pela primeira vez, aos 12 anos.

Eu e Isabela ficamos no mesmo quarto, de frente pra piscina. Gostamos uma da outra logo de cara e não desgrudamos mais. Infelizmente a Isabela teve a idéia genial de tomar banho de piscina no alto da serra em pleno mês de novembro. Ela e os outros 30 estudantes daquele ônibus, incluindo eu. Resultado: fiquei doente e passei o dia seguinte de cama. E a Isabela ficou com o coração dividido entre a piscina e o quarto. Dava um tibum e corria pra ver se estava tudo bem comigo, tadinha.

Depois disso, passei alguns anos sem encontrar ou ter qualquer contato com ela. Somente no primeiro ano do segundo grau, demos a sorte de estudar na mesma turma, a 109. A Isabela já nem era mais a mesma pessoa e eu, menos ainda. Mas conversavamos, riamos e tentávamos quando possivel trocar as figuras dos nossos álbuns tão diferentes.

Um dia, a Isabela chegou dizendo que sua mãe tinha comprado uma calça jeans da Triton pra ela. Acho que o corredor inteiro daquela escola ficou sabendo da tal calça da triton da Isabela de tanto que ela falou. E todas nos nos perguntávamos qual era o significado real daquela calça. Qual era a sua importancia? Pra nos, estudantes de escola publica, provavelmente nenhuma. Mas a Isabela papagaiou tanto sobre aquela calça que virou o assunto principal nas rodinhas de meninas, no sentido mais cruel da coisa. E as farpas foram tantas que um dia a Isabela chegou triste no colégio, para total deleite das suas difamadoras. Sua mãe tinha colocado a tal calça na maquina de lavar e esta engalhou e fez um rombo enorme na bunda. Sem chance de conserto.

Nesse dia, Isabela perdeu as calças, virou motivo de piada e ficou sozinha. Ou quase, porque eu lembrei da minha gripe na Serra gaúcha. Virei mais amiga da Isabela, visitei sua casa, conheci sua mãe e confirmei o significado de uma calça da Triton, ou seja, nenhum. A Triton era apenas aquela loja nova no primeiro shopping recém inaugurado da cidade. E a partir dai, mesmo tendo freqüentado poucas vezes esse templo do consumismo, passei a encara-lo com recusa. Afinal, o shopping trouxe a Triton, que trouxe suas calças caras e a propaganda, que atiçou a sede de consumo da Isabela, que fez sua mãe economizar o mês inteiro pra pagar e outros dois pra se livrar da culpa por ter rasgado a calça. Sem falar na Isabela que quase virou uma adolescente traumatizada.

Quase mesmo, porque três meses depois, Isabela fez sua mãe comprar uma nova calça, mas agora da Zoomp.
E foi dessa vez que mandei Isabela definitivamente a merda!

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Hoje fui mandar uma mensagem com o meu antigo email e la estava como assinatura o endereço do meu antigo blog. Cliquei so pra ter certeza que nao estava mais no "ar". Que nada!!! O blog inteirinho, ou quase, esta la. Pra quem nao sabe, antes este blog tinha outro nome e era escrito nao so pela Samanta, mas tambem pela Debora Melissa.

To com medo de reler o bicho. Sabe como é, eu me envergonho de tudo aquilo que digo e escrevo exatos cinco minutos depois de me expressar.
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Sábado, Julho 16, 2005


Ontem no MSN com um amigo angolano:
"Olha, hoje tenho um barbecue africano, vai ser giro! Vai ter musica angolana e aquela tarrachinha..."

Vocês conhecem a tarrachinha? Eu ja baixei alguma coisa na internet. Letra de funk carioca quase fica no chinelo e parece que o pessoal tambem da umas encoxadas. Na duvida, fiquei em casa. Vai saber o que ele quis dizer mesmo com "giro"!
rs...


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Sexta-feira, Julho 15, 2005


Suzana é uma mulher de 1m 65, pele morena e cabelos longos, negros e encaracolados. A olho nu, é mais uma dessas pessoas firmes, fortes, quase inabaláveis. Mas Suzana convive 24h por dia com aquele turbilhão de emoções conflitantes. Eu sei, ela sabe, é nosso segredo. Por certo, mulher mais bonita que Suzana ainda esta pra nascer.

No ano passado, nos reencontramos. Foi amor a segunda vista. E desgrudar de Suzana pra dizer adeus mais uma vez foi uma das coisas mais difíceis que ja tive que fazer. Mas nosso amor é tão forte, tão verdadeiro, que não sofro mais. E hoje tenho plena consciência de que é uma bençao experimentar um amor assim, ainda mais vindo da Suzana. É aquele olhar de cumplicidade, aquele abraço forte de compreensão, aquele choro mutuo que fala por si mesmo. Me sinto honrada por ter esse amor.

Ele começou assim. Eu tinha 9 anos e estudava no colégio do bairro. Suzana estudava no centro da cidade e pegava esse ônibus das 12h que todos os dias vinha lotado e passava justamente em frente ao meu colégio. Eu saia de casa mais cedo so pra ver a Suzana passar e dar tchau pra ela. Cinco vezes por semana.

Um dia, criança estabanada como sempre fui, desci correndo a ladeira do colégio pra acenar pra ela. A emoção era tanta que me desliguei e não olhei pro chão. Tropecei na raiz de uma arvore, me esborrachei e o ônibus inteiro rio de mim. Caída ali no areiao seco, morrendo de dor, ainda ouvia as gargalhadas. Levantei a cabeça, olhei pra dentro do ônibus e la estava Suzana, séria, querendo fuzilar com os olhos todas aquelas pessoas. Era o que eu precisava. Me ergui e, mesmo com o joelho sangrando, continuei a acenar pra ela que correspondeu com mais orgulho ainda. Era a prova.

E ainda hoje gosto de dobrar a calça so pra ver essa marca no meu joelho direito. É a mais bela cicatriz e é pra sempre. Felicidade maior, não deve existir. É a certeza de ter um amor correspondido por essa mulher incrível. Suzana, minha irmã.

ps: carta colocada hoje no correio nao so porque Suzana nao frequenta blogs, mas principalmente por que gosto da sinceridade das palavras escritas a mao.
;)

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Voltei.
E já troquei todas as senhas. MC nao tem mais acesso.


ps: sim, eu guardo dinheiro dentro do meu cofrinho de gato e tenho fotos minhas fazendo caretas horripilantes nesse computador. Mas as algemas nunca existaram.
:D

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Quarta-feira, Julho 13, 2005


Foi so a Samanta cancelar as atividades do blog pra bater o recorde de acessos. Vocês nao têm vergonha, nao?!
Pois bem, a moça resolveu partir pra um retiro espiritual em Gante e me deixou aqui com sua agenda e todas as senhas. hahaha... agora ela me paga! So pra começar... ela foi com a desculpa que precisava de um tempo sozinha e blah blah blah. Mentira da grossa! Foi pra casa dessa amiga holandesa e com ela vai chapar nos cafes africanos de Dampoort. Vocês nao sabem da missa a metade.
Sera que conto mais? O que vocês querem saber? ho ho ho

ass: M. C. , que ja achou dinheiro dentro do gato de porcelana, fotos comprometedoras no computador e algemas no armario.


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Terça-feira, Julho 12, 2005


Recado

Samanta pediu pra dizer que voltou a escrever contos e que momentanemente perdeu o interesse por este espaço.
Vai voltar quando achar que deve.
Me sugeri pra assumir o posto, mas a moça fez cara feia.
Acho que isso aqui vai ficar meio as moscas.

abraços,
Maria Cecilia

Reformulando....
Samanta inventou uma desculpa besta pra dar um tempo do blog e criou tambem esse nome bobo e sem sentido.
O que você lê aqui sao as palavras de uma pessoa que nao existe.
Isso nao é uma nova identidade e eu acredito que, pelo menos dessa vez, ela fala a verdade.

beijos,
Maria Cecilia
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Sexta-feira, Julho 08, 2005


Fui la e ja volto.
:D
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Quinta-feira, Julho 07, 2005


Fui buscar minhas notas na universidade. Saldo final segundo minha humilde opiniao: positivo. Das 12 materias, peguei recuperaçao em quatro. Poderia ter sido melhor, bem verdade. Mas eu tinha planos de trocar de curso no proximo ano, por isso nao estudei pra duas provas do tronco especifico do "Africanismo". Juntando essas duas materias mais as duas do primeiro semestre, quatro.

A noticia que me deixou realmente feliz foi que eu passei em Lingua e Estrutura do Texto, a prova que eu me arrebentei de estudar e cheguei em casa quase chorando. Bem, depois de ter passado nessa prova, nao tenho mais medo da lingua. Sei que ela nao é mais uma barreira ou desculpa pra nao ser aprovada.

Agora é bola pra frente. Vou organizar minha agenda pros proximos dias. Preciso conciliar trabalho e estudo. Vamos ver no que da.

Comments:

Esses dias conversava com um amigo sobre essas introduçoes conversacionais. Eu nao me importaria se os papos progredissem, mas o problema é que é sempre a mesma ladainha. Realmente o papo no sai do lugar, ou seja, fica sempre no "de onde você vem? Como veio parar na Belgica? Ha quanto tempo esta aqui?", blah blah blah. Esse amigo deu a ideia de fazer um papelzinho com toda a historinha, como aqueles que os garotos entregam dentro do onibus pra pedir dinheiro em vez de explicar que o pai fugiu, a mae é doente e desempregada etc. O problema é que parece um pouco grosseiro da sua parte fazer isso, principalmente com alguem que nao sabe que você ta repetindo a mesma historia pela milesima vez. E foi assim que eu tive a ideia de inventar uma biografia e me divertir um pouco. Estou a espera da primeira vitima. A historia:

Eu participava de um movimento separatista intitulado "O Sul é o meu pais". Nao so defendiamos a independencia dos três estados, mas tambem a anexaçao da Argentina ao nosso territorio. Nossas principais metas sao: instituir o espanhol como lingua oficial, Maradona como presidente e a inclusao do churrasco na merenda escolar (3 vezes por semana). Infelizmente fui presa ao tentar contrabandear um carregamento de chimarrao. Fui torturada (48 horas ouvindo piadas de gaucho), mas fugi. A Belgica me concedeu asilo politico e desde entao estou aqui.

O que vocês acham? Ficou bom ou vocês querem acrescentar algo?
Mas bah!
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Quarta-feira, Julho 06, 2005


Hujambo?
Sijambo.

Deletei o penultimo post porque eu nao estava rosnando tanto assim.
Amanha vou na universidade buscar minhas notas.
Sem muitas expectativas ou medos, ja sei o que me aguarda.
Esse fim de semana vou sair com a magrela. Ainda preciso dar um nome pra bicha.
Ainda tenho dos filhotes de gato pra dar. Dois machinhos, pretos.
Vou colocar as fotos aqui ainda, hummm, hoje?

* Traduçao do Suahili.
- Tudo bem com voce?
- Tudo bem.
* Traduçao literal.
- Voce tem algum problema?
- Eu nao tenho nenhum problema.

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Terça-feira, Julho 05, 2005


BUUUUUUUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!
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Domingo, Julho 03, 2005


Hoje rolou um mini encontro de blogueiros em Gante. Tive a oportunidade de conhecer o Stijn.
Foi uma tarde bastante agradavel, mesmo.

PS: Este post teria fotos, mas ambas as partes concordaram que estas sao impublicaveis. Ele diz que ficou com cara de mendigo e eu... bem, eu fiquei com cara de mim mesma.
A tecnologia digital as vezes se faz incapaz de operar milagres... ho ho ho
Comments:

Sábado, Julho 02, 2005


Se Deus ajuda quem cedo madruga, entao eu vou conquistar o mundo.
Ontem fui dormir 1h30 e as 6h ja estava acordada. Nao, eu nao precisava acordar cedo. blargh!
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Sexta-feira, Julho 01, 2005


Ah, hoje vou dormir tarde so porque eu posso.
Tocando no raidinho da SL:

- Calhambeque, do Rei Roberto.
- Bad bad you, bad bad me, Stephen Fretwell
- Panda, Dungen.
- There's too much love, Belle and Sebastian.
- Y control, Yeah, yeah, yeahs
- Stories from the streets, Madrugada.

E ainda me permito cantar quando nao morro de vergonha.

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A bicicleta roubada ja foi reposta.
Informaçoes relevantes a respeito: a buzina é uma fofura e a cor, uma gracinha.
Comments:

Madrugada vai tocar semana que vem em Bruges.
é bom demais pra ser verdade!

Aimee Mann no proximo sabado em Bruxelas.
Toda vez que olho pra qualquer foto daquela mulher, perco a minha crença em Deus e numa possivel justiça divina. Afinal, sao muitos os atributos numa criatura so.
Mesmo assim, quero ir.

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Samanta, 27 anos bem vividos exatamente como deus, aquele sadico, quis! Estudante de linguas e culturas africanas em Gante, Bélgica. Bizarro, eu sei. Aviso: este é um blog em que as vogais não servem pra nada e as consoantes para muito pouco. Mwoyi au! Dina dyanyi Samanta. Ndi mulongi. Ndi ndonga myakulu ya Afrika.

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