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Sábado, Abril 30, 2005
Sabe o que acaba comigo? Ligar pra minha mãe e perceber que ela ta tentando engolir o choro.
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Sabe o que acaba comigo II? Ter uma TPM fortissima e passar dois dias de cama sem conseguir engolir o choro. Alguem me explica, por favor, por que essa vontade de matar ou morrer?
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Desejo do fim de semana: Ser homem uma vez por mês.
Bocuda 14:02
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Sexta-feira, Abril 29, 2005
Perversiteit
Ah sim, antes de tudo deixa eu dizer pra voces que tudo que eu escrevo por aqui tem o seu fundo de verdade, mas nao é uma verdade completa e absoluta. Digamos que ela varia com o meu estado de humor. Por exemplo, se ontem eu estava super raivosa em relaçao ao curso na universidade, pode ser que hoje eu continue super raivosa, ou nao, vai entender...rs
Agora mudando de saco pra mala. Tem coisas no holandes que realmente me fascinam. Hoje, por exemplo. Tava la na aula de lingua e estrutura do texto quando o professor me solta a seguinte palavra: SCABREUSITEIT. Tive que rir, claro, porque ouvir "escabrosidade" da boca de um belga é no minimo surpreendente. Pra falar a verdade, esperava ouvir isso da minha boca em mais uma das minhas tentativas de falar essa lingua e criar novas palavras...hohoho... O mais divertido, porem, foi constatar que eu fui uma das poucas a entender a SCABREUSITEIT do professor. Pelo menos os meus vizinhos de cadeira nao sabiam o significado dessa palavra.
ps: a palavra existe sim em holandês. Pelo menos o adjetivo.
E pra completar o post do dia: PERVERSITEIT, oh ies!!! Vou ser má agora!
Ontem fomos visitar o Museu de Tervuren que fica em um lugar extremamente lindo em Bruxelas. Fomos com a nossa professora fofa de lingua e sociedade na Africa. Aproveitei pra levar a camera e tirar umas fotos. Aposto que eles acharam que eu queria a foto de recordaçao. Mal sabiam eles que a foto tinha fins bloguisticos.... hohoho
Detalhe importante: agora fui entender porque me falta assunto com os pobres da sala. Informaçao adicional: eu tenho 26 anos. Eles?
Eu exagero, mas nao minto. Olha ai a prova de que neguinho passa dos limites no quesito hippiesmo!!! Essa ai agora entrou numas de ir pra aula todo dia descalça. Como se nao bastasse, resolveu pegar trem, metro, tram e andar mais nao sei quantos metros sem nem um par de havaianas. To com pena, acho que vou dar uma das minhas... tsc tsc tsc
Minha professora fofa! De vez em quando ela faz umas piada e ri alto e sozinha. Eu adoooooro.
ps: foto tirada na surdina.
Bocuda 15:53
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Quinta-feira, Abril 28, 2005
Perguntinha
Vocês me levam a serio? Meeeesmo? De verdade????
Pois nao deveriam... hohoho
Bocuda 20:40
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Segunda-feira, Abril 25, 2005
Posso esclarecer uma coisa pra vocês? Eu adoro, amo, sou completamente apaixonada pela ideia que tenho do curso Linguas e Culturas Africanas que frequento. O problema, sempre ele, é que o conceito que tenho do curso infelizmente nao bate com a realidade. Sou apaixonada por uma ideia que a principio nao existe. Por que? Porque tenho minha porçao belga de ser: gosto de organizaçao e objetivos claros. Nao acho que estudar sozinho, mesmo pagando 500 euros anuais (preço de qualquer universidade belga) seja o fim da picada. Mas oras bolas, se eu vou ter que aprender sozinha sem a ajuda do dito professor, que pelo menos eu tenha um material didatico honesto, voces nao acham? Nao, nao to querendo livro em portugues no lugar de livro em holandês. Gostaria apenas que os livros fossem legiveis. Ciluba, a lingua africana que TENTO, TENTO aprender, tem acentos "esquisitos". Exemplo, circunflexo de cabeça pra baixo. Lindo, porque a grafica que imprimiu o maldito livro nao percebeu que o arquivo estava desconfigurado e o que eu recebi foi um punhado de caracteres do planeta marte em vez de regras fonologicas, morfologicas etc. Pre-requisito pra essa materia deveria ser Teoria e Pratica da bola de cristal para decodificaçao de textos em Ciluba I, II e III.
Sabe o que é legal tambem? Essa materia, Ciluba, vale nada menos do que 12 pontos no meu curriculo sendo que todas as outras nao passam de 5. Outra coisa legal? O professor foi pro Congo novamente com direito a visitinha no Japao. So volta em maio! Ao todo, foram seis meses de aula e ele passou pelo menos dois meses viajando. Tudo bem que ele nao faz falta nenhuma ja que a aula é uma tragedia grega. Imagina so que ele passa as aulas traduzindo textos do ciluba pro holandes. Agora, voces acham que eu estou sendo muito irracional ou traduçao de texto para alunos iniciantes é uma pratica no minimo alucinada? Não, isso não acontece nos outros cursos da universidade.
E por essas e outras que estou com vontade de trocar. Penso em passar para linguas orientais e optar por chines e japones.
Parece piada, ne? Mas na atual conjuntura, ate chines deve ser mais facil!
Bocuda 11:02
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Terça-feira, Abril 19, 2005
Hula hoop
Tenho pensado em fazer um exercicio ha tempos. O problema é que pouca coisa me agrada. Acho caminhada um saco, academia um porre, bicicleta é meio de locomoçao. Alias, so existem duas coisas que eu sempre gostei de fazer: surfar e dançar. A primeira a gente descarta na hora, afinal, quem vai se jogar naquela agua fria do mar cinza do Norte? Dançar, ate toparia, mas a atual situaçao financeira nao permite. Por conta desses detalhes, tava quase abondando a ideia, mas ontem caiu a gota d'agua no meu balde transbordante. Tudo bem que os belgas respeitam pedestres pra caramba, mas nao sao nada educados quando você tambem esta dentro de um carro. Fiquei tao estressada ontem voltando da aula que pensei que ia ter um treco (claro que nao é so o transito belga que me estressa, meus nervos estao uma mXXXX faz tempo).
Cheguei em casa e pensei, é hoje! Entrei em sites, comecei a bisbilhotar e lembrei de visitar o blog dessa moça que se formou comigo na faculdade. Pensei: tai, é isso que eu vou fazer. Entrei nesse site e peguei a receita de como se faz um bambole em casa. O resultado foi esse aqui:
Ficou meio tortinho, mas não deu pra fazer melhor.
Comentario do Daan depois da minha primeira tentativa: "It is supposed to be an elegant movement, Sam"
Mas eu nao vou desistir...heheh
Bocuda 15:43
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Sexta-feira, Abril 15, 2005
Aqui é assim, quando chega a primavera, o povo tira toda a teia de aranha da casa e faz aquela faxina geral. Muito necessária, por sinal, já que são oito meses de inverno por ano. Aproveitando essa onda, mudei a cara do blog e agora prometo mudar também o conteúdo. Vamos transformar esse espaço numa coisa menos chata e mais informativa? Então, chega de blog diarinho. Vamos imprimir um aspecto cientifico nisso aqui...hohoho
Língua e pensamento
Um dos assuntos que mais me fascina no curso é o estudo da relação entre essas duas palavrinhas ai do titulo. A maneira como a língua influencia o modo de agir das pessoas em uma determinada cultura, ou ainda, como o modo de pensar em uma cultura determina a maneira como sua língua é construída é pra la de interessante.
Mas qual é o motivo da minha fascinação? Vou citar um exemplo. No litoral Sul de Camarões existe uma língua chamada Bisso (que o Ethnologue classifica como um dialeto de Bakoko). Pois bem, os falantes de bisso, também chamados da mesma maneira, tem diferentes formas pro verbo morrer, assim como para o seu substantivo. Se um bebê morre, eles usam o verbo lihoo, que teria como tradução pra gente "passar". Se for um adulto, lisaimi, o que pra gente seria nesse caso realmente "morrer". E se for uma pessoa idosa, litimi, tradução, "partir". O interessante é como lingua é capaz de representar a visão dos bissos sobre o tema. Parece contraditório, mas a morte de um recém nascido é a menos dolorosa porque segundo suas crenças e a sua concepção cíclica, esse bebê não se foi, ele apenas passou e um dia retornará. A morte de uma pessoa de idade é encarada de forma branda já que essa pessoa foi encontrar seus ancestrais, ou seja, partiu ou retornou para casa dos seus antepassados. Já a morte de uma adulto é a mais dificil porque não representa essa passagem ou esse retorno.
Outro exemplo interessante é a lenda urbana sobre os esquimos e o fato de que eles teriam dezenas de palavras pra designar neve. Eles tem sim varias palavras pra nomear neve, mas isso é porque a sua língua é polissintetica, ou seja, suas palavras são frases. Os esquimós tem na verdade apenas duas palavras base para neve:
Qanik - neve no ar
Aput - neve no chão
Com essas duas palavras, eles podem fazer milhares de combinações gerando palavrões, o que acaba causando confusão.
Um terceiro exemplo sobre língua e pensamento, é o caso dos índios Hopi, nos Estados Unidos. Durante muito tempo se pensou que o verbo nessa língua não imprimia tempo e que, por conseqüência, tempo em si não era uma questão importante para os índios Hopi. O que foi revelado a pouco é que o verbo nesse idioma imprimi sim a noção tempo, pelo menos o presente. O que não é expressado é o tempo passado, revelando ai nesse caso que o passado é de pouca importância pra essa cultura.
Em ciluba, falado no sul do Congo, também não existe pronome feminino e masculino, ele é apenas um so. Comentei num post anterior que isso acontece porque mulheres e homens podem representar diferentes papeis sociais (masculinos e femininos) em determinadas situações.
Ainda mais ou menos nesse caso, tem o exemplo do Pitjantjatrara (uma língua falada por aborigenes no sudoeste da Australia) que apresenta palavras diferentes pra representar tio e tia por parte de mãe (kamuru, ngunytju) e por parte de pai (kurntili , mama). Isso demonstra que dentro dessa cultura existe uma certa hierarquia social, uma maneira de demonstrar certas estruturas. Senão estou enganada, isso também acontece no sueco.
Agora me digam, é ou não é interessante?
Bocuda 15:47
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Sábado, Abril 09, 2005
Vocês repararam no novo visual do blog?
É, já que eu tava precisando depilar o buço, aproveitei a oportunidade e troquei a foto da esquerda que tanto agoniava alguns de voces... hohoho
Agora vou lá passar alquinho no bigode e já volto.
Bocuda 14:57
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