Cala-te boca! kupuwa talalaa


Domingo, Agosto 29, 2004


Sabe, às vezes eu eu realmente penso que o mundo tem a sua lógica. Imagine você se hoje eu fosse encarregada de guardar aquela sala onde fica aquele famoso botão...

A essas horas, meus queridos, todos vocês já teriam ido pelo ares.
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Segunda-feira, Agosto 23, 2004


Prova final escrita na quinta-feira + ciso nascendo = me interna porque eu tô louca!
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Terça-feira, Agosto 17, 2004


Traduzi livremente e estou colocando aqui pra vocês. Esse foi o texto que usei na minha prova oral.
Agradecimento especial a Marizoca, que me ajudou pra caramba na escolha ;)

Escudo e amigo*, por Jan Blommaert*²

* Em 1300, Flandres estava sob o dominio francês. Mas por conta do « governo » desastroso, os flamengos se revoltaram. Em Bruges, os rebeldes usaram um grito de guerra pra diferenciar os flamengos dos franceses durante o ataque. Quem não conseguisse pronunciar as palavras Escudo e Amigo (Schild en Vriend, em holandês) ou que as pronunciasse com sotaque, era assassinado.



No acordo flamengo de governo está que imigrantes devem aprender holandês. Esse principio do "escudo-e-amigo" já é usado durante muitos anos como pedra fundamental da política de integração. Ninguém duvida de que o conhecimento de holandês é prático. Mesmo assim, isso não é tão simples quanto parece.
Há três pontos de partida na base desse princípio e todos os três são muito problematicos. Primeiro: as pessoas partem do principio de que o aprendizado de holandês traz imediatamente chances de trabalho, estudo e mobilidade social. Segundo: de que apenas o holandês oferece essas chances e que ele é o único meio de comunicação eficiente e necessário em Flandres. E terceiro: as pessoas partem do principio de que imigrantes não tem nenhum outro meio de comunicação que, de forma eficiente, funcionaria em Flandres.

No que diz respeito ao primeiro ponto: é grotesco dizer que conhecimento da lingua é a chave central para a solução do problema dos imigrantes. Imigrantes estão estruralmente a margem da nossa sociedade. O uso da língua (ou não-uso) é apenas uma consequência e não a causa do problema. Se a atual situação social e economica continuar persistindo, o uso da lingua padrão também continuará limitado. Então: primeiro empregos e chances de emancipação. A língua vem em seguida, de forma natural.

Aliás, que tipo de holandês nós temos? Que funções ele precisa cumprir? Em realidade, o conhecimento de holandês é, com efeito, importante para alcançar prestigio e construir uma rede social de trabalho. E não só o holandês, mas também as variantes específicas da lingua como dialetos, linguaguem escolar, de trabalho, jargões de certas profissões e hobbys. Então as pessoas precisam na verdade não apenas do holandês, mas também das suas diversas variantes. Aliás, numa sociedade como a nossa, o uso da lingua escrita é, sob esse ponto de vista, mais importante do que a lingua falada. Erros que as pessoas cometem apenas na lingua falada, saltam aos olhos quando estão num relatorio, carta, e-mail ou num trabalho escolar.

No que se refere ao segundo ponto: nosso país é, de fato, multilingue. Isso queiram as pessoas ou não. Eu dou aulas em holandês. Mas a maior parte da bibliografia que meus estudantes precisam ler é em inglês ou em francês. Todo o meu trabalho também é produzido em inglês. Quem quer entrar na universidade (em holandês) ou trabalhar, precisa ser necessariamente trilingue. Quem quer ler os classificados de trabalho no jornal precisa entender o jargão corporativo do inglês e os jargões do mercado empresarial em holandês. O fato é: qualquer que seja o trajeto pela mobilidade social na nossa sociedade, ele é, sem sombra de duvidas, um multilingue trajeto e com todas as varientes que o holandês possui. E as pessoas precisam se desenvolver nessa multiplicidade simultanea de linguas.

Isso me leva ao terceiro ponto. Os imigrantes são, na regra, perfeitos poliglotas. Eles dominam diferentes linguas e suas variantes, muitas vezes também o holandês. Além disso, alguns foram alfabetizados em diferentes sistemas de escrita. Uma criança turca pode rapidamente ler o alfabeto turco e arabe assim como o holandês. O imigrante chinês lê o seu alfabeto e o nosso. Eles falam muitas vezes mais linguas do que um belga mediano. Nos bairros de imigrantes onde eles vivem, todos esses meios de comunicação são facilmente empregados. Então, uma intensa multiplicidade de linguas é a regra, e o holandês é apenas uma dessas tantas linguas. E esses são os meios de comunicação que os imigrantes usam para promover a integração nos bairros onde vivem. Porém nós dissemos frequentemente que imigrantes « não falam língua nenhuma ». O fato é : as pessoas trazem o seu meio de comunicação quando eles migram, e esse meio de comunicação é muito últil. Nós deveriamos fazer melhor uso dele.
A pergunta final agora é: se todos os imigrantes aprendessem o holandês, nós, os flamengos, começariamos espontaneamente a jogar conversa fora com eles na rua?

*²Jan Blommaert, professor de sociolinguistica da Universidade de Gent.

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Já tava demorando...

"Incrível como eu consegui passar ilesa pela sexta-feira 13 e ainda em mês de agosto", disse a coitada se encarando na frente do espelho. Mas nada é em vão, voilà ! Um amigo meu já dizia que essa coisas a gente pensa baixinho que é pro Azar não ouvir. E eu sou uma besta mesmo, caso perdido.

Pois que eu acordo hoje depois de dormir uma porqueira de 5h. Olheiras nos pés, mau humor e todos os adereços que convem. E não deu outra ! Pego o carro e começo a percorrer os 42km da jornada diária pra chegar na escola. E ainda tem gente que reclama comigo o por quê de eu não gostar dos meus aniversários. Imagina você que esse ano, além da depressão habitual, eu contei 26 anos a menos no caderninho do dono da venda. Mas esses 26 ainda têm mais um agravante : agora eu pago passagem de trem e ônibus exatamente igual aqueles que não estão mais na flor da idade. E é por isso que nesses últimos 20 dias, o "cobrador" do trem não tem visto mais a minha cara.

E hoje eu estava lá, perto de Beernem, a cidade dos tolos, quando vi a temperatura do motor do carro subir, subir, subir. Peguei a primeira saída e fui a caça de um telefone. Nada ! Parei o carro, abri o coitado, joguei a minha última garrafa de água com gás no motor e resolvi fazer mais uma última tentativa. O coitado cuspia fogo !
Larguei o carro na rodovia e fui a caça de um telefone novamente. Ah, isso porque eu esqueci de dizer: sim ! Eu estava com o celular, mas sem crédito !!! Avistei um orelhão lá na casa do capeta e me alegrei. Quem mora por essas bandas sabe que telefone público é coisa rara, rara mesmo ! Andei até o telefone e para minha desgraça, advinha ? O bicho só funcionava com cartão e eu não tinha crédito em nenhum dos meus dois.
Pronto, já queria chorar, mas continuei andando. Lá na casa do chapéu, encontrei outro orelhão. E claro que não aceitava moedas. Liguei pra um 0800 e a cretina disse que não sabia como fazer ligação a cobrar. Desliguei na cara dela. E como diria mamãe quando quer ser desbocada, minha vontade era enfiar os dois dedos naquele lugar e rasgar até a boca.
Foi aí que tive a brilhante idéia de entrar na primeira birosca e pedir pra usar o telefone. E a única birosca aberta na cidade dos tolos antes das 9h da manhã era um açougue. Entrei e pensei com os botões ausentes da minha camisa : "se alguém fizer cara feia, vai ter morte!". Acho que o açougueiro, que com muita sorte contava com 4 dentes na boca, sentiu meu astral positivo e foi um amor. Usei o telefone em menos de dez segundos e, claro, paguei. Acho que foi o telefonema local mais caro da minha vida. Não, não foi por culpa do açougueiro. Eu catei as primeiras moedas no bolso e entreguei. E só quando voltei pro carro me toquei de quanto eu tinha dado, quatro euros. Ahhhhh !!!!
Agora estou aqui pensando que preciso estudar pra recuperar a aula perdida. Afinal, eu até poderia ter ido pra lá novamente e assistir duas horas. Mas depois do episódio, melhor ficar em casa quietinha.

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Segunda-feira, Agosto 16, 2004


Vocês lembram daquele professor belga que ficou peladão na sala de aula? Será que a fama dele chegou no Brasil por minha conta ou os belgas ficaram putos comigo e resolveram sacanear a gente? heheh...Presentinho tirado do jornal:

Professor incita alunos a masturbação

Recentemente, um professor de religião de Haasrode se inspirou na bíblia e tirou as roupas em sala de aula. Agora um colega da escola Nossa Senhora do Rosario, no Brasil, resolveu ir um pouquinho mais longe. Os alunos querem processar o professor que pediu que eles se masturbassem durante a aula de biologia. Dessa maneira, os estudantes de 15 anos poderiam examinar o esperma no microscopio, escreveu o jornal brasileiro La Prensa. Os pais de um estudante, chocados, se dirigiram rapidamente a policia. « Sugerir uma coisa desse tipo é desrespeitoso e bizarro », diz o porta-voz da polícia. « Nós estamos todos consternados. A direção da escola também já se antecipou para dizer que todos estão chocados por conta do comportamente deste docente.

Alguém aí no Brasil ouviu sobre essa notícia ? Isso de fato aconteceu ? E o La Prensa? Eu sou ignorante mesmo ou isso é picaretagem?
Bem, se aconteceu ou não, deixa pra lá. Eu gostaria muito de enviar esse email pra redação, mas vou guardar na gaveta e mostrar só pra vocês.

Prezado redator chefe,

Gostaria de me candidatar a uma vaga de repórter na sua redação. Sou brasileira, jornalista (com diploma universitário) e moro na Bélgica há dois anos. Falo fluentemente inglês, holandês e português (português é a minha lingua materna e por incrivel que pareça é o idioma oficial do Brasil, contrariando, portanto, todas as expectativas em relação ao espanhol).

Agora gostaria de dizer o motivo pelo qual fui movida a escrever este email. No jornal de sexta-feira, 13/08/04, li uma matéria sobre o professor brasileiro que incitou a masturbação em sala de aula. Infelizmente não tenho como averiguar a veracidade do fato, mas tenho sérias dúvidas em relação a fonte dessa matéria. Eu, talvez por ignorancia, desconheço qualquer jornal brasileiro de credibilidade que se chame La Prensa. O La prensa, em português (lembra? O idioma oficial do Brasil?) seria chamado de A Imprensa. Seria então o La Prensa um jornal da comunidade paraguaia de Pedro Ruan Caballero no Brasil? Enfim, se essa informação chegar, me avise.

Fico aguardando também sua chamada para ser seu braço direito na redação.
E, caso eu ainda não esteja por aí e o La Prensa envie outros releases, por favor, me mande um email. Assessoria a preços camaradas, juro!

Hasta la vista,
Samanta

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Quinta-feira, Agosto 12, 2004


Eu até que tento me concentrar nas minhas atividades, mas toda hora aparece uma brincadeira nova pra gente perder tempo. Primeiro foi o Orkut, agora é o Multiply. Verdade é que gostei, mas essa bagunça precisa acabar.

Próxima segunda-feira, tenho prova oral do nível 5 de holandês. Esse é o último nível obrigatório para os alunos que desejam entrar na universidade. O curso inteiro vai até o nível 6, mas esse faz quem quer. Eu ainda não sei se vou fazer, tudo vai depender da questão t$mpo.

Pois bem, para essa prova oral eu preciso escolher um artigo de jornal ou revista e gastar 10 minutos explicando pra turma. Isso não seria problema algum, até mesmo porque eu já fiz uma apresentação de duas horas sobre o Brasil numa outra prova. O problema dessa vez é que eu não consigo achar nenhuma matéria interessante. Eu até tenho algumas opções, mas nada me interessa profundamente.

01 - Síndrome do pânico ataca cada vez mais belgas.
02 - O Congo Belga (sobre um bairro de Bruxelas). Isso eu me interesso, mas não vai dar certo naquela turma.
03 - Pendurando ladrões na vitrine.

Sobre essa ultima matéria, um esclarecimento. Na Holanda, caso você seja pego roubando em uma loja, corre o sério risco de ver a sua foto parar na vitrine com os dizeres: "Essa pessoa roubou"... hohoho...
Ah se essa moda pega... ia faltar vitrine por aí!
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Sábado, Agosto 07, 2004


Sim, voltei ao blog. Mas tirando o Cido, será que alguém sentiu falta de moi?!
Hummm, talvez eu devesse colocar um sistema de comentários pra saber se alguém anda me lendo por aqui. Ou não?!

Bem, o motivo da ausencia é um só. Meus irmãos e a minha sobrinha estavam aqui passando uns dias comigo. Rodamos um monte (Paris, Amsterdã, Londres, Colônia, Bruxelas) e vimos até o Olodum (coisa da minha irmã). Foi legal!!! Não, melhor, foi muuuito bom! Pena que acabou e agora eu estou aqui, sentindo um vazio imenso toda vez que chego em casa e encontro tudo vazio e silencioso. Mas é isso aí, bola pra frente!

A outra novidade é que comprei um caderninho pra anotar as barbaridades que não tenho coragem de escrever aqui. Pensamentos, impressões, planos, sonhos. Toda essa coisa do "de perto, ninguém é normal". E se sobrar algo que seja aprovado no teste de sanidade bloguistico, publico aqui. Hehhehe, posts raros então.

Notinha colhida no jornal belga "De Morgen" de ontem:

- As trigemeas do T-Rio, nova sensação pop brasileira (nunca ouvi falar), dizem no Het Laatste Nieuws (outro jornal) que Blankenberge (uma linda praia do litoral belga) se parece muito com o Rio de Janeiro. "O sol brilha, tem praia e as pessoas se divertem" (nossa, quanta coincidencia!). Felizmente, ainda, nem todas as pessoas em Blankenberge andam pela praia com um fio dental entre as nadegas. -

Conclusões:
- Primeira: Quá Qua Quá!
- Segunda: Retiro o que eu disse sobre a visão dos belgas referente ao Brasil. Além de carnaval, cobras e futebol, temos também o fio dental, o tesouro nacional que atravessou décadas e perdura até hoje na memória dos compadres.
- E não podia deixar de faltar, terceira: suvaco cabeludo, virilha amazonica, topless e sauna pelado, oh YES! Mas fio dental, que escandalo! hehehe...

Ps: não, eu não defendo o fio dental. Aliás, essa foi a moda mais horripilante que já surgiu!

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Quinta-feira, Agosto 05, 2004


Voltei!
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Samanta, 27 anos bem vividos exatamente como deus, aquele sadico, quis! Estudante de linguas e culturas africanas em Gante, Bélgica. Bizarro, eu sei. Aviso: este é um blog em que as vogais não servem pra nada e as consoantes para muito pouco. Mwoyi au! Dina dyanyi Samanta. Ndi mulongi. Ndi ndonga myakulu ya Afrika.

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